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Marcha em intraversão, extraversão, pé plano, joelhos valgos, andar em pontas: estas alterações no desenvolvimento da criança são tão comuns que no conjunto, afectam todas as crianças num determinado momento do seu crescimento.
A resposta a estas perguntas constitui um dos principais motivos de consulta de Podologia infantil. O mais importante é diferenciar correctamente o normal do patológico, mas sempre que as quedas frequentes sejam uma das consequências de uma marcha alterada deverá ser alvo de uma avaliação biomecânica cuidada.
Normal, o que é normal? Durante os primeiros 3 anos de vida a planta do nosso pé é munida de uma capa de gordura capaz de nos confundir e dar a imagem de um pé plano ou chato, esta situação é fisiológica e a evolução e crescimento proporciona a absorção desta capa surgindo a arcada do pé. Sempre que associada a esta situação surja o desalinhamento dos calcanhares (entortar dos tornozelos), deverá ser alvo de uma avaliação podológica.
As marchas em intraversão e extraversão, ou seja, colocar os pés para dentro ou para fora e caminhar em pontas são mais algumas das alterações frequentes que podem surgir e alterar os padrões fisiológicos da marcha. È importante descriminar correctamente a causa deste tipo de alterações e corrigir o mais precocemente possível.
Colocar os joelhos para dentro é um dos principais motivos de quedas frequentes devido ao choque dos mesmos durante o caminhar. A evolução fisiológica do alinhamento dos membros inferiores é feita por um varismo ao nascimento (joelhos para fora), que tende a normalizar até aos 18 meses e se inverte por valguismo, colocando os joelhos para dentro até aos 3/4 anos. Desde então a tendência é de normalizar até aos 6/7 anos.
O tratamento quando necessário, poderá passar pela utilização de palmilhas de correcção ou compensatórias realizadas pelo podologista/podiatra infantil após uma avaliação estática e dinâmica da marcha.
Em forma de conclusão gostaria que ficassem com a ideia que existem alguns aspectos do nosso crescimento ou algumas variações que se traduzem em alterações fisiológicas e outras que sendo anormais poderão ter tradução na marcha da criança. A detecção precoce destas alterações deve ser realizada desde cedo pelo pediatra, médico de família, ortopedista e podologista/podiatra, com o objectivo comum de um crescimento saudável da criança.
Publicado em: Jornal Opinião Pública 20/10/10 |